
Raniery Araújo Coêlho
Durante muito tempo, o calendário foi visto apenas como uma ferramenta de rotina. Em 2026, ignorá-lo será um erro estratégico. Com a Copa do Mundo, eleições e muitos feriados, teremos um ano atípico: o consumo será instável e a atenção das pessoas estará totalmente fragmentada. Não será um ano ruim, mas será um ano seletivo. Vencerá quem planejar melhor, não quem for apenas otimista.
O Desafio da Atenção
Os números mostram a força desse cenário:
Engajamento: 71% dos brasileiros pretendem acompanhar a Copa (bem acima da média mundial de 59%).
Custo: O Brasil deve liderar o crescimento mundial de publicidade (+9,1%).
Isto significa que haverá muito dinheiro disputando o mesmo consumidor. Se você não tiver estratégia, sua marca vai apenas “queimar caixa” tentando ser ouvida no meio do barulho.
O Impacto nos Setores
Eventos gigantes não ajudam todo mundo por igual. Enquanto turismo, bares e alimentação lucram rápido, a indústria, o varejo e o mercado B2B sofrem com menos dias úteis e decisões de compra adiadas. Em 2026, a “média mensal” de vendas não será um bom indicador de saúde para o seu negócio. É preciso pensar nos ciclos. Haverá tempos de altas e baixas vendas.
Fuja das Armadilhas
Muitos empresários acreditam na ilusão de que “anos de Copa e Eleição aquecem a economia sozinhos”. O mercado não se comporta da mesma forma para todos. A realidade é bem diferente:
Atenção é recurso escasso: A propaganda se torna maior, fica mais cara e menos eficiente.
Instabilidade no caixa: Você terá períodos de pico seguidos por quedas bruscas. Sem reservas ou receitas recorrentes, o susto será grande. A atenção ao caixa e ao capital de giro será primordial.
Como se preparar
O calendário não será uma desculpa, mas a causa dos seus resultados. As empresas que saírem na frente serão aquelas que:
• Fortalecerem a recorrência (vendas constantes).
• Planejarem o ano em ciclos curtos, e não em médias anuais.
• Anteciparem o fluxo de caixa para aguentar os meses parados.
Em 2026, ter previsibilidade será muito mais valioso do que tentar crescer a qualquer custo. As empresas que se planejarem para os ciclos, que encararem este ano como um ano atípico e os que se anteciparem aos problemas, certamente, terão uma vantagem competitiva e resultados bem melhores das que se comportarem da forma tradicional.
É presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO e Vice-Presidente da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo-CNC.