Em audiência na Câmara, CNC apoia atualização do Pert para aliviar dívidas do setor produtivo

Em audiência na Câmara, CNC apoia atualização do Pert para aliviar dívidas do setor produtivo

Confederação ressaltou que parcelamentos especiais ajudam micro e pequenas empresas a manter atividades e regularidade fiscal

A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) participou, nesta segunda-feira (25), de audiência pública promovida pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados para discutir o Projeto de Lei nº 4.728/2020, que prevê a reabertura do prazo de adesão ao Programa Especial de Regularização Tributária (Pert).

O encontro reuniu representantes do governo federal e do setor produtivo para discutir alternativas de regularização fiscal e medidas de estímulo à atividade econômica. A audiência foi realizada com base em requerimento do deputado federal Vermelho (PL-PR), relator da proposta na Câmara.

Representando a CNC, a advogada Camila da Costa Vieira Blanco destacou a relevância econômica do setor terciário e defendeu a retomada do programa como instrumento para preservar empresas e empregos. “A CNC destaca que a reabertura do Pert é essencial para dar fôlego a essas empresas para que elas não fiquem sufocadas com dívidas, multas e juros que foram se acumulando em um momento de crise e que resultaram em débitos que hoje são capazes de impedir a própria atividade econômica”, afirmou.

Durante sua participação, Camila ressaltou que o comércio de bens, serviços e turismo representa 43% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional e responde por cerca de 30 milhões de empregos no País. Segundo ela, a maior parte das empresas brasileiras é formada por micro e pequenos negócios que enfrentam dificuldades para manter a regularidade fiscal diante do cenário econômico dos últimos anos.

A representante da CNC também destacou que a transação tributária foi um avanço importante, mas ponderou que ela não substitui programas especiais de parcelamento. “O estímulo ao pagamento espontâneo por meio da concessão desses descontos e parcelamentos especiais é, sim, indispensável para garantir a arrecadação, o fluxo de caixa e a continuação das empresas”, ressaltou.

O posicionamento da CNC foi reforçado por representantes de outros setores produtivos presentes na audiência. Representando a Confederação Nacional do Transporte (CNT), Guilherme Anachoreta Tostes explicou que programas de regularização tributária são instrumentos históricos de preservação da atividade econômica. “É importante a gente olhar para os contribuintes não como aqueles contribuintes que cheiram a enxofre. A gente tem que olhar para eles também como parte relevante da nossa sociedade e que contribuem muito positivamente para as políticas públicas”, declarou. Segundo ele, medidas como o Pert ajudam a garantir “a manutenção da fonte produtora” e da regularidade fiscal das empresas.

Já Alexandre Tortato, consultor da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep), salientou que o parcelamento especial funciona como complemento dos mecanismos de transação tributária já existentes. “O parcelamento e a transação têm características muito diferentes. O parcelamento vem complementar isso. Ele vem dar a chance para os contribuintes que não estão conseguindo celebrar a transação a pôr fim a esses passivos tributários que existem e que vêm desde a pandemia”, afirmou.

Tortato também ressaltou que o substitutivo apresentado pelo relator não cria benefícios inéditos, mas reúne mecanismos já adotados em programas anteriores. “A grande qualidade do seu relatório é que não há nenhuma inovação. Na verdade, a gente está aqui conjugando diversas medidas que foram concedidas em um parcelamento ou concedidas em outro”, avaliou.

A entidade manifestou apoio ao substitutivo, apresentado pelo deputado Vermelho, que atualiza o texto original do projeto e amplia as possibilidades de adesão ao programa. Entre os pontos defendidos pela CNC, estão a utilização de prejuízos fiscais e créditos tributários para amortização de débitos, a inclusão de débitos não tributários no programa e a criação de condições diferenciadas para pequenos devedores.

Durante o debate, o deputado federal Mauro Benevides Filho (União-CE) também chamou a atenção para a necessidade de compatibilizar a proposta com as exigências fiscais previstas na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). “Qualquer projeto de lei que trate de renúncia fiscal vai ter que ter uma compensação, senão a Receita não vai interpretar isso como adequado”, enfatizou. O parlamentar acrescentou que será necessário buscar alternativas orçamentárias para viabilizar a medida e indicou disposição para aprofundar a discussão com consultores da Casa e órgãos responsáveis.

Ao encerrar sua fala, Camila Blanco reforçou o posicionamento institucional da Confederação em favor da proposta. “A CNC manifesta apoio à aprovação do PL 4.728/2020, na forma do substitutivo apresentado pelo deputado Vermelho, na medida em que a CNC defende a preservação das empresas, o incremento da atividade econômica e a geração de empregos e de renda para a população brasileira.”

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