Enquanto o ICF nacional apresentou uma redução de -0,6% em meio a cenário recordes de endividamento, o ICF de Rondônia cresceu 0,3% e se conserva bem acima do nacional
A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), pesquisa mensal da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), revela que o índice recuou -0,6% em agosto, na comparação dessazonalizada com julho, atingindo 103,9 pontos. A retração do indicador foi liderada pela forte deterioração da percepção sobre o futuro do mercado de trabalho: o componente de Perspectiva Profissional teve o maior recuo do mês (-1,9%) e registrou uma expressiva baixa de -9,9% frente ao mesmo período do ano passado.
O presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, analisou o contexto de aperto monetário causado pela alta taxa Selic e os efeitos transversais dos dois lados do balcão. “O comportamento mais cauteloso das famílias ocorre em meio a um ambiente financeiro pressionado”, afirma. “O avanço da inadimplência entre empresas gera ruídos em toda a atividade econômica e afeta também a confiança dos trabalhadores ao ameaçar a estabilidade de suas ocupações”, completou Tadros.
As famílias de renda mais altas puxam a intenção de consumo
Em Rondônia a pesquisa de Intenção de Consumo das Famílias (ICF), apurada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO em conjunto com a CNC, em direção oposta ao comportamento nacional aponta um leve crescimento com de 0,3% com o índice aumentando para 125,1, pelo terceiro mês seguido, com uma intenção de consumo 20% acima da nacional, o que reflete o maior otimismo das famílias rondonienses e o seu comportamento de mesmo com uma maior precaução continuar com uma intenção de consumo alta em especial puxada pelas famílias com renda acima de 10 salários mínimos que apresentam uma intenção de consumo de 127,3 pontos numa escala que vai de o a 200 pontos.
É preciso registrar que há uma certa ambivalência das famílias rondonienses que, mesmo com uma baixa desocupação no mercado de trabalho apresentam, contraditoriamente, uma forte insegurança em relação ao futuro do emprego. Cabe salientar que, apesar do alto endividamento das empresas e das famílias, as incertezas em relação à economia, o comportamento das famílias rondonienses é de pesquisar mais e substituir produtos, mas não de diminuir a intenção de consumo. Para o presidente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia-Fecomércio/RO e vice-presidente da Confederação Nacional do Comércio-CNC, Raniery Araújo Coêlho, “Tanto o empresário como consumidor de Rondônia são mais resilientes em relação às decisões nacionais. Assim fatores como o alto endividamento, redução pequena da Selic e da inflação, não parecem afetar substancialmente a intenção de consumo das famílias, o que tende a indicar que teremos um semestre de maior movimentação financeira mesmo com as incertezas econômicas e eleitorais”, afirmou.