O Grande Debate: Escala 6×1 deve ou não ser prioridade na Câmara?

O Grande Debate: Escala 6×1 deve ou não ser prioridade na Câmara?
Hugo Motta mantém plano de tramitar PEC sobre jornada de trabalho, enquanto governo cogitou enviar projeto de lei em regime de urgência

Os líderes na Câmara Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) e Tarcísio Motta (PSOL-RJ), debateram, nesta quarta-feira (8) em O Grande Debate (de segunda a sexta-feira, às 23h), sobre o fim da escala de trabalho 6×1.

De acordo com apuração da CNN Brasil, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), manteve a previsão de tratar o tema por meio de uma PEC (Proposta de Emenda à Constituição), sem alterar o cronograma inicialmente planejado.

O tema emergiu após o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, negar um recuo do governo sobre o envio de um projeto de lei em regime de urgência.

Boulos mencionou um prazo de 45 dias para que os parlamentares decidam por um eventual trancamento de pauta, caso o texto do governo não seja votado. No entanto, segundo fontes da mesa diretora da Câmara, esse período não se aplicaria à tramitação de uma PEC, o que permitiria que Hugo Motta seguisse com o cronograma oficial previsto.

Diferentes visões sobre a jornada de trabalho

Durante o debate, Tarcísio Motta defendeu que o tema é prioritário e foi trazido pelos movimentos sociais. “Nós temos muitos trabalhadores brasileiros hoje que trabalham em farmácias, em mercados, em shoppings, em bares e restaurantes, que trabalham numa escala de trabalho desumana. Trabalham seis dias para folgar apenas um”, afirmou Motta.

O parlamentar do PSOL argumentou que essa escala faz com que a vida dos trabalhadores seja apenas o trabalho, sem tempo para descanso, lazer e convivio familiar. Segundo ele, estudos mostram que países que reduziram a jornada máxima de trabalho tiveram aumento na produtividade. Motta defendeu a redução para 40 horas semanais, embora considere que o ideal seria chegar a 36 horas.

Por outro lado, Sostenes Cavalcante, afirmou que o debate transcende a divisão entre direita e esquerda, mas apresentou uma visão diferente. “O que nós temos de diferença da esquerda é que nós queremos uma legislação de verdade moderna, inclusive não somente discutindo esse salário por um, como dando a opção do trabalhador trabalhar e receber por horas trabalhadas”, explicou.

Cavalcante argumentou que o trabalhador deveria ter a liberdade de escolher sua escala, inclusive podendo trabalhar menos dias se assim desejar. “Por que o trabalhador tem que trabalhar cinco dias e descansar dois? Se a opção dele for diferente disso, trabalhar dois dias por semana e ele se sentir satisfeito com as horas trabalhadas em dois dias”, questionou.

Formato e cronograma da proposta

Quanto ao formato da proposta legislativa, Tarcísio manifestou preferência pela tramitação via PEC, considerando-a mais segura juridicamente. “A Constituição hoje já determina o máximo, nós podemos regulamentar menos, mas é possível entrar num embate jurídico de que o máximo que está na Constituição é o que está valendo”, explicou o parlamentar do PSOL.

Sobre o cronograma de votação, Sostenes expressou ceticismo quanto à possibilidade de uma aprovação célere, citando o calendário apertado do Congresso em ano eleitoral. “A gente tem dificuldade de cronograma. A gente precisa ser muito honesto com o trabalhador”, afirmou, mencionando os feriados e as convenções partidárias que impactarão os trabalhos legislativos nos próximos meses.

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