Índice da CNC recua no país pelo segundo mês seguido, mas empresário rondoniense mantém confiança sustentada pelo agronegócio e pela expectativa de crescimento
O otimismo do varejista brasileiro atingiu o menor patamar do ano em agosto. Segundo o Índice de Confiança do Empresário do Comércio (Icec), apurado mensalmente pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), o indicador nacional recuou 0,6% em relação a julho, fechando em 101,3 pontos, considerando o ajuste sazonal.
A queda foi puxada pela avaliação das Condições Atuais, que registrou retração de 2,5% frente ao mês anterior- o pior desempenho entre os subíndices-seguida pela redução na Intenção de Investimentos (-0,3%). Juntos, esses dois componentes levaram o índice geral para baixo. Na contramão, o único subíndice que ainda sustenta algum ânimo entre os comerciantes brasileiros é o de Expectativa Futura, que segue em território otimista, com 128,2 pontos. O avanço reflete o aumento da confiança tanto na economia como um todo (+1,1%) quanto no próprio setor de atuação (+0,3%), na comparação com julho.
Este contraste-otimismo com o futuro e insatisfação com o presente- tem efeito direto sobre as decisões de investimento: o comerciante brasileiro sinaliza mais disposição para contratar (+0,6%) e repor estoques (+0,1%), mesmo reduzindo os planos de investir em estrutura física do negócio (-1,8%).
Para o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, o cenário resume um momento de contradição entre disposição e possibilidade. “A cada mês, os números mostram o que também ouvimos em eventos por todo o Brasil: há expectativa e há força de vontade para trabalhar mais e melhor; porém, os custos elevados impedem que o empresário aumente os investimentos”, avaliou.
Rondônia recua no mês, mas mantém dianteira sobre a média nacional
Em Rondônia, o movimento seguiu a mesma direção- mas com folga em relação ao restante do país. O Icec estadual, elaborado em parceria entre a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio/RO) e a CNC, caiu de 116,7 pontos em julho para 113 pontos em agosto, uma retração de 3,17%. Ainda assim, o resultado rondoniense está 11,5% acima da média nacional e representa uma alta de 11,1% em relação a agosto do ano passado, quando o índice local marcava 101,7 pontos. A queda mensal no estado tem explicação concentrada: o alto endividamento das famílias, que provocou uma retração de 6,5% na aquisição de bens duráveis-categoria historicamente sensível ao crédito e aos juros.
“Norte tem otimismo estrutural”, diz presidente da Fecomércio/RO
Para o presidente da Fecomércio/RO e vice-presidente da CNC, Raniery Araújo Coêlho, a resiliência do comércio rondoniense frente ao cenário nacional não é coincidência, mas reflexo de características estruturais da economia regional.
“O Norte e a Amazônia, de uma forma geral, possuem um otimismo maior em relação ao futuro. Isto tem uma base real na trajetória de crescimento. São economias com menor maturidade e competição, com empresários com mais disposição para crescer, diferente dos grandes centros onde o mercado já é consolidado. Rondônia, por exemplo, tem sempre crescido em níveis acima do país, justamente por ter ainda muito espaço nos seus mercados e nossos empresários terem uma ambição maior de crescer”, afirmou Coêlho.
A assessoria econômica da Fecomércio/RO reforça que o otimismo do empresário rondoniense tem fundamento concreto: o agronegócio em expansão, a renda em alta, o perfil de economia de fronteira e um calendário de datas comemorativas favorável ao consumo. No entanto, o órgão faz uma ressalva importante: este otimismo carrega um componente típico de economias em expansão, que tendem a operar acima da média nacional mesmo quando as condições objetivas do presente- juros, crédito e logística-continuam desafiadoras.
“Existe sim um otimismo estrutural e setorial, puxado pelo agro e pelo interior, mas não isento de riscos. O custo logístico e o endividamento são exatamente os pontos que podem devolver este ânimo para a média nacional”, avalia a assessoria da Fecomércio/RO.