
Para garantir o chocolate e o tambaqui na mesa, lojistas sacrificam lucros e apostam em promoções para driblar a inflação.
Diante de algumas incertezas da economia brasileira, a palavra de ordem aos consumidores para a Páscoa é recolhimento afetivo e consciência nos gastos. Se o dinheiro está curto, o brasileiro encontrou uma forma de não deixar a data passar em branco: fechar os círculos sociais.
É o que aponta o estudo “Pulso Páscoa”, realizado pela Hibou Pesquisas e Insights em parceria com a Score Agency (agência do ecossistema Biosphera.ntwk). A pesquisa, feita com 1.163 brasileiros em março deste ano, revela que o comportamento dominante será o da “intimidade”.
A vontade de economizar fica clara nos números:
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40% preferem ficar em casa e não receber visitas;
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17% vão apenas a comemorações com os familiares mais próximos;
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11% pretendem receber convidados em casa;
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Apenas 6% planejam viajar no feriado.
Apesar da redução na lista de convidados, o significado da data não se perdeu. Cerca de 70% dos entrevistados optaram pelos tradicionais almoços em família. “O brasileiro quer experiências melhores, mesmo quando esse movimento envolve menos pessoas”, explica Ligia Mello, CSO da Hibou.
A inflação do Chocolate e do Tambaqui
Esse comportamento mais intimista também é uma reação direta aos preços nas prateleiras. O consumidor já percebeu que os produtos típicos da época estão mais salgados este ano.
Um levantamento comparativo entre as Páscoas de 2025 e 2026 nos grandes varejistas mostra aumentos que não passam despercebidos:
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Um ovo de Páscoa de 277g, que no ano passado custava em média R$ 45,00, hoje não sai por menos de R$ 56,99 — um salto superior a 26%.
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Outros itens achocolatados registraram altas que variam de 16% a 25%.
E não é só a sobremesa que ficou mais cara. Em Porto Velho, o prato principal também sofreu reajuste. De acordo com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia (Fecomércio/RO), o peixe, com destaque especial para o tambaqui, sofreu um aumento médio de 16%.
Por que o comércio espera vender mais?
Mesmo com o orçamento das famílias espremido e a inflação em alta, a projeção do comércio local é surpreendentemente otimista. Uma sondagem realizada pela Fecomércio/RO estima que as vendas de Páscoa no estado tenham um crescimento de 30% em 2026.
A matemática por trás dessa expectativa vem do esforço dos próprios lojistas, como explica o presidente da entidade, Raniery Araújo Coelho.
“Mesmo com todos os problemas da conjuntura, o nosso comércio procura compensar as dificuldades com promoções seletivas e a manutenção de preços competitivos, muitas vezes diminuindo as próprias margens de lucro. Por isso, deve haver um aumento das vendas este ano”, afirma Coelho.
O presidente da Fecomércio/RO ressalta ainda que a alta nos preços dos ovos de chocolate não é mera vontade do comerciante. Fatores como a menor produção mundial de cacau e as variações cambiais adicionaram custos pesados a toda a cadeia.
“Infelizmente, por mais que o lojista se esforce, os produtos estão um pouco mais elevados porque o consumidor não paga apenas pelo chocolate. O preço final embute toda a estrutura que envolve o produto, como novas embalagens, marketing, logística e, claro, os impostos”, conclui Raniery.
No fim das contas, a Páscoa de 2026 promete ser de mesas um pouco menores, mas com o comércio de Rondônia trabalhando dobrado para garantir que a tradição caiba no bolso do consumidor.