
Exclusão de rios estratégicos do plano de investimentos gera incerteza sobre o abastecimento e a competitividade do polo industrial de Manaus
Da Redação do BNC Amazonas
A retirada das hidrovias do Madeira, Tocantins e Tapajós do Programa de Parcerias de Investimentos (PPI) expõe uma fragilidade institucional que atinge diretamente a economia do Amazonas.
O movimento ocorre após episódios de paralisação em terminais portuários no Pará, evidenciando a insegurança jurídica que cerca a logística do Arco Norte.
Para o Amazonas, o impacto é imediato. A hidrovia do rio Madeira é o principal canal de integração da Zona Franca de Manaus (ZFM) com o mercado nacional.
A manutenção da navegabilidade é vital para que os insumos cheguem às fábricas e os produtos acabados alcancem os centros consumidores com custos competitivos.
Economia e meio ambiente
O uso dos rios como estradas naturais oferece vantagens que o estado não pode ignorar.
Enquanto o modal rodoviário foi responsável por 93% das emissões de CO2 do setor de transportes em 2023, o uso de barcaças reduz drasticamente a pegada de carbono.
Um único comboio no rio Madeira tem a capacidade de retirar centenas de caminhões das estradas, gerando uma economia operacional que pode chegar a 30%.
Além disso, o custo de viabilizar a hidrovia é significativamente menor que o de infraestrutura terrestre.
No Madeira, estima-se que R$ 100 milhões seriam suficientes para garantir 1.100 quilômetros de navegação, enquanto o mesmo valor não duplicaria nem 15 quilômetros de uma rodovia.
Rigor técnico na dragagem
A questão ambiental, contudo, é central. O setor de navegação defende que a dragagem nos passos críticos do rio Madeira e do Tapajós não deve ser vista como uma agressão, mas como medida de gestão e segurança.
Monitoramentos realizados entre 2023 e 2025 indicam que, quando feita com critérios técnicos, a retirada de sedimentos mantém os parâmetros de qualidade da água dentro da normalidade.
O desafio para o Amazonas e para o país é estabelecer um caminho de prudência: garantir o licenciamento rigoroso que proteja os ecossistemas e as populações ribeirinhas, sem permitir que o veto automático impeça o desenvolvimento de uma matriz de transporte mais limpa e barata.