
Em um pronunciamento contundente durante evento do LIDE em São Paulo, Jerome Cadier, CEO da LATAM Airlines Brasil, expressou forte preocupação com os efeitos da reforma tributária sobre a aviação e o turismo no país.
Segundo ele, embora a reforma seja necessária para o Brasil, sua implementação no modelo atual ameaça a sobrevivência das companhias aéreas e prejudica o desenvolvimento do turismo nacional.
“A reforma tributária, se a gente não mudar, é um desastre”, afirmou Cadier, destacando que o setor não conseguiu sensibilizar o governo quanto aos impactos nocivos que a nova estrutura tributária poderá causar em atividades intensivas em serviços, como a aviação.
De acordo com o executivo, a LATAM desembolsa atualmente cerca de R$ 2 bilhões por ano em impostos. Com a reforma implementada integralmente, esse valor poderia mais do que dobrar, chegando a aproximadamente R$ 5 bilhões anuais.
O CEO também apontou a falta de planejamento de longo prazo como um dos principais obstáculos para o setor aéreo, lembrando que investimentos em aeronaves demandam previsibilidade regulatória e econômica para períodos que podem chegar a oito anos.
Cadier destacou ainda que a aviação brasileira está estagnada há cerca de 15 anos, contrastando com o avanço de mercados similares. Para ele, essa situação é reflexo da insegurança regulatória, dos altos custos e da ausência de uma estratégia nacional para o turismo.
Em um momento de sua fala, o executivo defendeu a união das três maiores companhias aéreas brasileiras, LATAM, Gol e Azul, para tratar de questões estruturais do setor, superando eventuais divergências comerciais. “O que as três companhias precisam fazer juntas para o setor crescer?”, questionou.
Ao finalizar, ressaltou que o turismo representa uma grande alavanca para o crescimento do Brasil, mas que sem uma atuação coordenada entre empresas e governo e sem ajustes na reforma tributária, o país continuará enfrentando dificuldades para expandir a aviação e o turismo.
“Se a gente não conseguir levar uma voz unificada e mostrar a importância do turismo, daqui a cinco anos estaremos discutindo exatamente os mesmos problemas e celebrando números que continuam sendo medíocres.”