“Se a gente não mudar, a reforma tributária será um desastre”, diz CEO da Latam Brasil

Início » Blog » “Se a gente não mudar, a reforma tributária será um desastre”, diz CEO da Latam Brasil

Em um pronunciamento contundente durante evento do LIDE em São Paulo, Jerome Cadier, CEO da LATAM Airlines Brasil, expressou forte […]

Em um pronunciamento contundente durante evento do LIDE em São Paulo, Jerome Cadier, CEO da LATAM Airlines Brasil, expressou forte preocupação com os efeitos da reforma tributária sobre a aviação e o turismo no país.

Segundo ele, embora a reforma seja necessária para o Brasil, sua implementação no modelo atual ameaça a sobrevivência das companhias aéreas e prejudica o desenvolvimento do turismo nacional.

“A reforma tributária, se a gente não mudar, é um desastre”, afirmou Cadier, destacando que o setor não conseguiu sensibilizar o governo quanto aos impactos nocivos que a nova estrutura tributária poderá causar em atividades intensivas em serviços, como a aviação.

De acordo com o executivo, a LATAM desembolsa atualmente cerca de R$ 2 bilhões por ano em impostos. Com a reforma implementada integralmente, esse valor poderia mais do que dobrar, chegando a aproximadamente R$ 5 bilhões anuais.

Contudo, Cadier enfatiza que esse custo não é absorvido pela empresa, mas repassado aos consumidores, elevando o preço das passagens aéreas. “A LATAM não paga imposto. A LATAM repassa imposto. Quem paga é o cliente que está voando”, explicou. Esse aumento, segundo ele, tende a reduzir a demanda por viagens aéreas, impactando negativamente toda a cadeia produtiva do turismo.

Além da crítica à reforma, Cadier avaliou de forma contundente o desempenho do turismo brasileiro, classificando-o como “medíocre” diante do grande potencial do país.

Ele comparou o Brasil a outras nações latino-americanas, destacando que o Chile possui quase o dobro de passageiros aéreos por habitante, enquanto Argentina e Colômbia atraem proporcionalmente mais turistas internacionais. “É muito mais fácil vender o Brasil do que vender o Chile. Temos praias, natureza, cultura e um nível de serviço que poucos países possuem”, ressaltou.

O CEO também apontou a falta de planejamento de longo prazo como um dos principais obstáculos para o setor aéreo, lembrando que investimentos em aeronaves demandam previsibilidade regulatória e econômica para períodos que podem chegar a oito anos.

“Você não traz uma aeronave para o Brasil olhando apenas o próximo ano”, afirmou, criticando a rotatividade de ministros do Turismo, que dificulta a continuidade das políticas públicas.

Cadier destacou ainda que a aviação brasileira está estagnada há cerca de 15 anos, contrastando com o avanço de mercados similares. Para ele, essa situação é reflexo da insegurança regulatória, dos altos custos e da ausência de uma estratégia nacional para o turismo.

Em um momento de sua fala, o executivo defendeu a união das três maiores companhias aéreas brasileiras, LATAM, Gol e Azul, para tratar de questões estruturais do setor, superando eventuais divergências comerciais. “O que as três companhias precisam fazer juntas para o setor crescer?”, questionou.

Ao finalizar, ressaltou que o turismo representa uma grande alavanca para o crescimento do Brasil, mas que sem uma atuação coordenada entre empresas e governo e sem ajustes na reforma tributária, o país continuará enfrentando dificuldades para expandir a aviação e o turismo.

“Se a gente não conseguir levar uma voz unificada e mostrar a importância do turismo, daqui a cinco anos estaremos discutindo exatamente os mesmos problemas e celebrando números que continuam sendo medíocres.”

Faça seu comentário
Rolar para cima