
Entidade afirma que mudança em debate no Congresso pode elevar custos operacionais, pressionar setores como comércio, serviços e turismo e afetar a manutenção de empregos, segundo levantamento da confederação.
A Fecomércio-RO manifestou preocupação com os efeitos econômicos da proposta em debate no Congresso Nacional que altera o modelo de jornada de trabalho 6×1. O posicionamento da entidade foi apresentado com base em estudo da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a CNC.
Segundo o presidente do Sistema Fecomércio-Sesc-Senac-Instituto Fecomércio/RO e vice-presidente da CNC, Raniery Araújo Coêlho, a mudança pode gerar impacto direto sobre a estrutura de custos das empresas e na manutenção dos postos de trabalho, especialmente em segmentos com operação contínua.
“Estamos diante de uma proposta com potencial de impacto direto sobre a sustentabilidade das empresas, com reflexos na manutenção e na geração de emprego e do custo de produção. Setores como turismo, além das micro e pequenas empresas, tendem a sentir esses efeitos com mais intensidade”, afirmou.
O posicionamento foi embasado no estudo Jornada de trabalho e estabilidade do ambiente de negócios, apresentado pelo economista-chefe da CNC, Fábio Bentes, com participação do advogado da entidade, Roberto Lopes, e da diretora de Relações Institucionais, Nara de Deus.
De acordo com a confederação, a redução da jornada pode produzir efeitos relevantes nos setores de comércio, serviços e turismo, com aumento da folha salarial, necessidade de readequação das escalas e risco de perda de competitividade em atividades que dependem de funcionamento contínuo.
No comércio, o estudo projeta custo adicional anual de R$122,4 bilhões, com impacto estimado de 21% sobre a folha de pagamento do setor. No segmento de serviços, a estimativa é de R$235 bilhões em custos adicionais, com possibilidade de repasse de até 13% aos preços finais ao consumidor.
A CNC também aponta a possibilidade de redução de até 631 mil empregos formais no curto e médio prazos. No turismo, segundo a entidade, o impacto pode chegar a 54%, a depender do porte das empresas e do perfil das operações.
Para a Fecomércio-RO, a discussão sobre mudanças na jornada de trabalho exige transição gradual e consideração das especificidades de cada setor da economia. A entidade defende que o debate avance com diálogo entre empregadores e trabalhadores, de forma a preservar segurança jurídica, competitividade e empregos.