REFORMA TRIBUTÁRIA NA SUA FASE OPERACIONAL PREOCUPA MICRO E PEQUENOS EMPRPESÁRIOS DE RONDÔNIA

REFORMA TRIBUTÁRIA NA SUA FASE OPERACIONAL PREOCUPA MICRO E PEQUENOS EMPRPESÁRIOS DE RONDÔNIA

Publicação dos regulamentos da CBS e do IBS marca início da etapa mais complexa da transição tributária e amplia desafios tecnológicos, operacionais e financeiros para as empresas

A regulamentação da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) e do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços), que compõem o novo modelo da reforma tributária brasileira, inaugura uma nova etapa da economia nacional em 2026: a passagem do debate teórico para a implantação prática do sistema. Para a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de Rondônia – Fecomércio/RO, o momento exige atenção redobrada dos empresários, especialmente dos micro e pequenos negócios, que poderão enfrentar dificuldades significativas de adaptação. Segundo o presidente da Fecomércio/RO, Raniery Araújo Coêlho, “È indispensável um acompanhamento e a organização das empresas para que se possa fazer uma transição entre os regimes sem traumas. Esta nova fase, sem dúvida, já exige uma adaptação das empresas aos deságios da reforma”.

Com decretos e resoluções do comitê gestor já publicados, o novo modelo passa a estabelecer regras concretas sobre apuração, declaração, recolhimento e fiscalização tributária. O ambiente de testes do sistema já movimentou mais de R$ 135 bilhões em notas fiscais emitidas, demonstrando a dimensão e a complexidade da mudança em curso. Embora a reforma tenha sido apresentada como um mecanismo de simplificação tributária, a realidade operacional tende a ser bastante desafiadora, sobretudo para empresas que possuem baixa estrutura administrativa, reduzida capacidade tecnológica e dependem de sistemas contábeis mais simples.

O maior desafio agora é operacionalizar a reforma

Na avaliação da Fecomércio/RO, a fase mais difícil da reforma começa justamente agora. O desafio deixou de ser legislativo e passou a ser operacional. As empresas precisarão transformar regras técnicas complexas em rotinas funcionais dentro de seus sistemas financeiros, fiscais e contábeis.

Isso significa revisar processos internos, adaptar softwares de gestão, reconfigurar emissão de notas fiscais, treinar equipes e criar mecanismos mais rigorosos de controle tributário. Muitos empresários ainda não perceberam que a transição exigirá mudanças profundas na forma como as operações comerciais são registradas e acompanhadas.

Para micro e pequenas empresas, o problema é ainda mais delicado. Grande parte desses negócios trabalha com estrutura enxuta, terceiriza áreas administrativas e possui baixa margem financeira para investimentos em tecnologia e consultoria especializada. O custo de adaptação pode se tornar um fator de pressão adicional sobre empresas que já convivem com juros elevados, crédito restrito e aumento de custos operacionais.

O risco invisível: erros fiscais e impacto financeiro

Outro ponto que preocupa é o crescimento do risco fiscal durante a transição. O novo sistema amplia a digitalização e a rastreabilidade das operações econômicas, exigindo validação quase em tempo real das informações tributárias.

Na prática, isso aumenta significativamente a exposição a inconsistências, divergências cadastrais, erros de classificação fiscal e falhas de integração entre sistemas. Pequenos erros operacionais poderão gerar autuações automáticas, bloqueios de créditos tributários, multas e passivos fiscais relevantes.

A Fecomércio/RO alerta que muitos empresários ainda tratam a reforma apenas como uma mudança de alíquotas, quando, na realidade, ela altera toda a lógica de apuração tributária. O ambiente digital cria uma fiscalização muito mais intensa e automatizada, na qual qualquer inconsistência pode produzir efeitos financeiros imediatos.

Além dos impactos econômicos, há também riscos reputacionais. Empresas com recorrentes inconsistências fiscais podem enfrentar dificuldades de crédito, restrições comerciais e perda de competitividade.

Reforma tributária também é uma transformação tecnológica

Mais do que uma mudança tributária, a implantação da CBS e do IBS representa uma profunda transformação tecnológica no ambiente empresarial brasileiro.

Integração de dados, automação fiscal, governança da informação e segurança digital passam a ser elementos centrais da gestão das empresas. Sistemas que antes funcionavam de maneira isolada precisarão conversar entre si em tempo real, exigindo infraestrutura mais robusta e processos mais sofisticados.

A tendência é que aumente a dependência de plataformas de ERP, inteligência fiscal automatizada e mecanismos digitais de auditoria e conferência tributária. Para grandes grupos empresariais, isso representa investimento elevado. Para micro e pequenas empresas, pode significar dificuldade concreta de adaptação.

Segundo a Fecomércio/RO, há preocupação de que a reforma, embora concebida com o objetivo de simplificação, possa inicialmente ampliar custos administrativos e gerar insegurança operacional, sobretudo nas regiões onde empresas possuem menor acesso a suporte tecnológico especializado.

Necessidade de orientação e preparação

Diante desse cenário, a Fecomércio/RO defende que o setor produtivo intensifique desde já os processos de preparação para a transição tributária. O acompanhamento técnico, a atualização dos sistemas de gestão e a capacitação das equipes serão fundamentais para reduzir riscos e evitar prejuízos futuros.  A entidade também considera essencial que os governos mantenham diálogo permanente com o setor empresarial, garantindo clareza regulatória, cronogramas realistas e suporte adequado durante o período de implantação.

A reforma tributária representa uma das maiores mudanças estruturais da economia brasileira nas últimas décadas. Contudo, para milhares de empresários, principalmente os pequenos empreendedores, o sucesso da reforma dependerá menos do discurso da simplificação e mais da capacidade real de adaptação ao novo ambiente digital, fiscal e operacional que começa a se consolidar no país.

 

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